O governo federal estuda reduzir os juros do crédito consignado para trabalhadores CLT e aposentados do INSS. A medida pode incluir limite para taxas e uso do FGTS como garantia. Veja o que pode mudar e os cuidados antes de contratar.
Principais pontos
- Governo avalia reduzir os juros do crédito consignado para CLT e aposentados.
- Taxa média do consignado privado hoje gira em torno de 3,26% ao mês.
- Proposta inclui usar parte do FGTS como garantia para reduzir juros.
- Sistema de “leilão” entre bancos pode ser criado no app Meu INSS.
- Especialistas alertam para os riscos do consignado sem planejamento.

O que muda com a possível redução dos juros do crédito consignado
O governo federal avalia novas medidas para reduzir os juros do crédito consignado destinados a trabalhadores com carteira assinada e aposentados do INSS.
A proposta, segundo informações divulgadas na imprensa, é estabelecer um limite para as taxas cobradas pelos bancos. Atualmente, o juro médio do consignado privado gira em torno de 3,26% ao mês. Entretanto, algumas instituições chegam a cobrar até 8% mensais, algo considerado abusivo por técnicos da equipe econômica.
Portanto, a intenção do governo é estimular mais concorrência e tornar o crédito mais barato. Além disso, a discussão acontece um ano após o lançamento do chamado “Crédito do Trabalhador”, modalidade criada para ampliar o acesso ao consignado para profissionais do setor privado.
Enquanto isso, o mercado segue crescendo. Segundo dados oficiais, o saldo dessa modalidade já alcançou cerca de R$ 110 bilhões, com quase 9 milhões de trabalhadores atendidos.
Por que os juros do crédito consignado são menores
O crédito consignado costuma ter juros menores que outras linhas de crédito. Isso acontece porque o pagamento das parcelas é descontado diretamente do salário ou benefício. Dessa forma, o banco tem mais segurança de que receberá o valor emprestado. Para entender melhor, veja a comparação:
- Cartão de crédito rotativo: pode superar 400% ao ano
- Empréstimo pessoal comum: taxas elevadas
- Consignado do INSS: cerca de 22% a 24% ao ano
Portanto, muitas pessoas usam o consignado para trocar dívidas mais caras por uma mais barata. Contudo, isso não significa que o empréstimo seja sempre uma boa ideia. Afinal, ele continua sendo uma dívida de longo prazo que compromete parte da renda mensal.
Uso do FGTS como garantia pode reduzir juros
Outra proposta em estudo é permitir que trabalhadores utilizem parte do saldo do FGTS como garantia do consignado. A ideia é liberar:
- até 10% do saldo do FGTS
- além da multa rescisória de 40% em caso de demissão
Com essa garantia adicional, os bancos poderiam oferecer juros menores. Inicialmente, a medida estava prevista para junho. No entanto, o governo tenta antecipar a implementação para entre abril e maio. Por outro lado, especialistas alertam para um ponto importante. O FGTS funciona como uma rede de proteção financeira em caso de demissão. Portanto, usar esse dinheiro como garantia pode reduzir essa segurança.
Novo sistema de leilão de juros no Meu INSS
Para aposentados e pensionistas, outra mudança estudada é criar um sistema de “leilão” de juros dentro do aplicativo Meu INSS. Na prática, funcionaria assim:
- O beneficiário solicita um empréstimo.
- Os bancos apresentam propostas.
- O contrato fica com a instituição que oferecer a menor taxa de juros.
Consequentemente, isso pode aumentar a concorrência e reduzir os custos para os aposentados. Hoje, o consignado do INSS já possui um teto de juros de 1,85% ao mês.

Os riscos do crédito consignado que muita gente ignora
Apesar das taxas menores, o consignado exige cuidado. Isso acontece porque as parcelas são descontadas automaticamente da renda. Assim, o dinheiro já sai do salário antes mesmo de chegar à conta. Consequentemente, o orçamento pode ficar mais apertado. Especialistas em educação financeira apontam alguns riscos comuns:
Comprometimento da renda
Se a parcela for alta, sobra menos dinheiro para despesas básicas.
Sensação de “dinheiro fácil”
Como a contratação é rápida, muitas pessoas pegam o empréstimo sem planejar.
Endividamento prolongado
Os contratos podem durar anos, reduzindo a flexibilidade financeira.
5 cuidados antes de contratar crédito consignado
Se você está pensando em contratar consignado, siga algumas recomendações importantes:
1. Avalie se o empréstimo é realmente necessário
Nem sempre pegar crédito é a melhor solução.
2. Analise o impacto da parcela
Verifique quanto do salário sobrará após o desconto.
3. Compare taxas entre bancos
Mesmo no consignado, os juros podem variar bastante.
4. Confira o custo efetivo total (CET)
Ele inclui juros, tarifas e encargos.
5. Evite usar o crédito para consumo por impulso
O ideal é utilizar o consignado para organizar dívidas mais caras, não para aumentar gastos.
Conclusão
A possível redução dos juros do crédito consignado pode trazer alívio para milhões de brasileiros. Taxas menores significam crédito mais barato e maior concorrência entre bancos. Entretanto, o empréstimo continua sendo uma dívida que compromete a renda por meses ou até anos. Portanto, antes de contratar, vale fazer uma pergunta simples: esse crédito realmente vai melhorar minha situação financeira?
Se usado com planejamento, o consignado pode ajudar. Caso contrário, pode se tornar mais um peso no orçamento.
E você: já usou crédito consignado ou pensa em usar? Compartilhe sua experiência nos comentários.
Quer mais dicas de finanças pessoais, investimento e economia? Acesse outros artigos do blog como:
